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Saúde e Lazer
Por Administrador   
Terça-Feira, 08 de Abril de 2014, 09:19.

 

Cuidado com o excesso de café


Há uma lenda que diz que tudo começou quando um pastor do norte da África viu suas cabras comerem umas frutinhas selvagens e começarem a saltitar com uma energia fora do comum. Outra história diz que umas folhinhas caíram de um arbusto dentro da caneca de água quente do imperador chinês. Seja como for, tendo a cafeína entrado na vida dos homens através do café ou da folha de chá, o que aconteceu em seguida foi pura alegria.

Quer dizer, alegria para todo mundo, menos para as pobres almas encarregadas de nos salvar das drogas, já que não existe desafio maior que regulamentar a cafeína, essa molécula de prazer elegante usada com cada vez mais exagero, que é a melhor amiga do homem e, de tempos em tempos, sua assassina. Conforme Murray Carpenter deixa claro em seu estudo metódico, os pesos e medidas de nossa sociedade não dão conta das nuances dessa substância, seja entre atletas, adolescentes, sujeitos em experimentos científicos ou o dependente nosso de cada dia.

A cafeína pura é um pó branco e amargo. Quando entra no corpo, ela bloqueia os efeitos da adenosina, uma pausa fundamental para muitos processos fisiológicos. Com cafeína o bastante no sistema, os órgãos do nosso corpo passam a ser um pouco mais de si mesmos: o cérebro fica um pouco mais cerebral; os músculos, mais elásticos; as veias ficam um pouquinho mais apertadas e a digestão, mais eficiente. Com cafeína demais, tudo pode se acelerar ao ponto de levar a uma parada cardíaca.

É preciso ingerir cerca de 30 miligramas de cafeína (menos de uma xícara de café ou uma lata de Coca-Cola) para que os efeitos estimulantes possam ser notados. Cem miligramas por dia é o bastante para viciar a maioria das pessoas: elas se sentem terrivelmente infelizes sem sua dose diária, e os órgãos todos começam a reclamar em protesto por alguns dias. É preciso consumir mais de 10 gramas para que a cafeína seja fatal – uma dose impossível de atingir apenas com as bebidas tradicionais. Contudo, os novos energéticos ricos em cafeína levam os festeiros a chegar muito facilmente à zona de perigo, entre o suficiente e o excessivo.

Mitos e verdades sobre o café


  • Algumas pessoas devem evitar o consumo de café? Sim. Aquelas que possuem sensibilidade à cafeína (a eliminam mais lentamente do corpo), gestantes, mulheres na menopausa, pessoas com problema de má digestão, de insônia ou idosos devem ter cuidado e consumi-la com moderação. "Porém, estudos mostram que um consumo total de cafeína por dia inferior a 300 mg não apresenta riscos", aponta Tatiane Muniz de Oliveira, nutricionista do Hospital Israelita Albert Einstein.
  • Café tira o sono? Sim. Em concentrações elevadas, a cafeína pode afetar a qualidade do sono e agravar os sintomas de insônia. "Por ser uma substância estimulante, a cafeína faz com que o sistema nervoso seja acionado, levando as glândulas a liberarem adrenalina, o coração a bater mais rápido e o sangue a ganhar mais glicose, provocando aumento da concentração e estado de alerta", diz a nutricionista Andressa Barbosa, coordenadora do programa de Educação Nutricional Viva Melhor da Risa Restaurantes Empresariais.
  • Café prejudica absorção de cálcio? Pode prejudicar. O consumo moderado de café não traz nenhum prejuízo na absorção de cálcio e, consequentemente, para a saúde dos ossos. Mas quanto o consumo é exagerado, isto é, doses acima de 500 mg, é preciso ter cuidado. "O consumo exagerado de cafeína deve ser evitado por pessoas idosas e mulheres na menopausa, pois pode influenciar na ocorrência de osteoporose - mas apenas naquelas que consomem uma quantidade inferior a 800 mg de cálcio na dieta", explica a nutricionista Andressa Barbosa.
  • Crianças não podem tomar café? Podem, desde que moderada. Embora as crianças não tenham tanto o hábito de consumir café, elas consomem outros produtos ricos em cafeína como refrigerantes à base de cola, chás gelados e chocolates. "Mas sua ingestão (do café e dos alimentos que contenham cafeína) também deve ser moderada, não sendo recomendado um consumo maior que 2,5 mg de cafeína por quilo de peso por dia. Ou seja, se uma pessoa pesa 60 kg, o máximo de cafeína que deve consumir é 150 mg, o que equivale a duas ou três xícaras de café coado", ressalta Tatiane Muniz de Oliveira.
  • Cafeína deixa mais atento? Sim. A cafeína tem efeito sobre a descarga das células nervosas e a liberação de neurotransmissores e de alguns hormônios como a adrenalina. Além disso, age sobre a enzima lipase, uma lipoproteína que mobiliza os depósitos de gordura para utilizá-la como fonte de energia no lugar do glicogênio muscular, tornando o corpo mais resistente à fadiga. "Uma simples xícara de café forte, tomada em jejum, pode produzir em poucos minutos um aumento da acuidade mental e sensorial, além de elevar o nível de energia, tornando a pessoa mais alerta e proporcionando bem-estar", afirma Jocelem Salgado, professora do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz.
  • Café vicia? Sim. O uso crônico de cafeína pode causar dependência, pois ocorrem adaptações celulares causando tolerância aos efeitos que a cafeína produz. "Pessoas com ingestão crônica de cafeína, quando diminuem, mesmo que pouco, a quantidade a qual estavam habituadas, podem apresentar dores de cabeça, letargia, ansiedade e nervosismo", explica Tatiane Muniz de Oliveira.
  • Café ajuda a emagrecer? Sim. Por conter cafeína, o café age aumentando o metabolismo do corpo, ajudando na queima de calorias. "Porém a melhor conduta para se perder peso ainda é manter a prática de atividade física e uma dieta balanceada. O café pode ser apenas um indutor para que o metabolismo fique um pouco mais acelerado", alerta a nutricionista Andressa Barbosa.
  • Café desidrata? Pode. A cafeína reduz a produção de hormônios antidiuréticos, levando a um aumento da produção de urina, o que poderia levar à desidratação. "Porém seu consumo moderado não altera os níveis de hidratação nem de eletrólitos excretados pela urina", afirma Tatiane Muniz de Oliveira.
  • Não há limite de quantidade para tomar café? Com certeza há limite. O café deve ser sempre tomado com moderação, e exageros podem, sim, trazer prejuízos para a saúde. De acordo com a Food and Drug Administration (FDA), órgão regulatório de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, para desfrutar da bebida com prazer e sem ter complicações, o ideal é não ultrapassar o limite de 150 ml a 200 ml de café ao dia (o equivalente a três ou quatro xícaras pequenas), distribuídos em três porções: uma de manhã e as outras duas ou três no início e até o final da tarde, dando um espaço de tempo de ao menos uma hora entre uma tomada e outra.
  • Café ajuda a aliviar a dor de cabeça? Sim. A cafeína de uma xícara de café forte pode contribuir para o alívio da enxaqueca, quando ingerida nos primeiros momentos da dor de cabeça. "Por ser uma substância vasoconstritora, pode ajudar a combater os efeitos dolorosos da dilatação dos vasos sanguíneos da cabeça", explica a nutricionista Andressa Barbosa. Por isso muitos medicamentos para dor de cabeça contém cafeína na sua fórmula.
  • A forma como o café é preparado pode fazer diferença na saúde? Sim. Dois conhecidos elementos químicos dos grãos do café, o cafestol e o caveol, elevam os níveis de colesterol e LDL no sangue, mas são removidos em parte com a água quente. O que a água não consegue eliminar fica retido no coador de papel ou em filtros. Mas os elementos permanecem no café feito com coador de pano, no expresso e no de estilo francês, por exemplo. "Outro ponto a ser observado é a cor do pó de café, que deve ser marrom claro (cor de chocolate), pois o pó que é muito escuro indica que o café foi submetido a altas temperaturas por tempo prolongado, podendo perder suas substâncias benéficas ao organismo", aponta Tatiane Muniz de Oliveira.
  • Café beneficia pessoas envolvidas em atividades físicas? Sim. A cafeína aumenta o estado de vigília, diminui a sonolência, alivia a fadiga, aumenta a respiração e a frequência cardíaca e assim como o metabolismo e a diurese, podendo melhorar a prática de atividade física, explica Tatiane Muniz de Oliveira.
  • Gestantes não podem tomar café? Moderadamente podem. Ainda é controverso se o café oferece riscos a grávidas. Não foi demonstrada uma relação causal entre o consumo da bebida e abortos em ingestões de cafeína inferiores a 300 mg por dia, mas alguns estudos descobriram um maior risco de baixo peso ao nascer associado ao consumo de mais de 150 mg por dia (o equivalente a duas ou três xícaras). "Gestantes devem ter cuidado e consumir a cafeína com moderação, pois o excesso pode levar a abortos", diz Tatiane Muniz de Oliveira.
  • Café envelhece? Não. Na verdade, o o efeito pode até ser o contrário. "O café contém substâncias denominadas polifenois que têm uma função antioxidante, se consumido com moderação", afirma Tatiane Muniz de Oliveira. Os antioxidantes ajudam a retardar o envelhecimento das células e protegem das mutações celulares.
  • Café ajuda a prevenir doenças cardíacas? Sim. Um estudo realizado por pesquisadores do Centro Médico Beth Israel, hospital ligado à Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, publicado na revista "Circulation: Heart Failure", em 2012, demonstrou que o consumo de quatro xícaras de café por dia diminui em até 11% as chances de uma pessoa desenvolver insuficiência cardíaca. "Isso porque ele favorece o controle dos níveis de colesterol no sangue, pois diminui a oxidação do colesterol ruim (LDL), que é capaz de causar inflamação nas artérias. Além da cafeína, outras substâncias presentes na bebida, como os ácidos clorogênicos, reduzem a incidência de diabetes, fator de risco importante para o desenvolvimento da doença coronariana", explica a nutricionista Andressa Barbosa.
  • Café não deve ser tomado junto com medicamentos? Sim. Segundo a nutricionista Andressa Barbosa, alguns medicamentos, como antidepressivos, remédios para osteoporose e controle da tireoide, podem ter seu efeito afetado pelo consumo excessivo do café. Por isso é sempre indicado se informar com um médico a respeito.
  • Café causa problemas digestivos? Pode causar. A cafeína estimula a acidez gástrica, mas apenas quando é consumida em excesso. "A cafeína aumenta a produção de ácidos digestivos, por isso pessoas com problemas de má digestão devem evitar tomar café", aponta Jocelem Salgado.
  • Café melhora o humor? Sim. A cafeína é um estimulante do sistema nervoso central e tem a sua ação como antagonista da adenosina, ou seja, age bloqueando os receptores de adenosina, situadas nas células nervosas e, particularmente no cérebro. "Com isso mantêm o estado de excitação, a sensação de revigoramento, e a diminuição do sono e fadiga", aponta Tatiane Muniz de Oliveira.

 
  

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