CAUSOS CAMPEIROS
 

PEÃO CARIOCA

        Verão. Meu cunhado, tendo o capataz pedido as contas, andava desesperado à procura de um substituto. Informou-se por aqui e por ali, mas nada. Resolveu, então, colocar um anúncio nos programas de comunicados rurais da rádio, dando seu endereço para que fosse procurado por algum interessado.

        Tinha terminado a esquila e, para piorar, o carrapato estava perseguindo barbaridade. O seu filho, já ajudava, mas precisava de alguém com mais prática, senão adeus festas de fim-de-ano.

        Véspera de Natal, aparece um candidato, com pilchas pouco tradicionais e um modo de falar chiado, pelo chiclete que mascava. Cabelo grande, vestia calça jeans, soquetes e tênis Adidas. Camisa floreada aberta ao peito, corrente no pescoço com um "atleta", pendurado, no dizer dele, e falou ao meu cunhado:

        - Sou gaúcho di Bagé, mash morei unsh temposh no Riio. Qual é quié ô bicho?

        Meu cunhado achou o candidato um tanto diferente. Não existe mais gente como antigamente, mas resolveu empregá-lo e falou:

        - Meu salário é tanto e queria que tu fosses agora comigo,

        O outro concordou - a mudança toda era uma mochila que trazia na mão - e foram para a fazenda.

        Lá chegando, o cunhado deu todas as instruções e recomendou:

        - Tem dois animais aí que deves ter cuidado especial. Um touro e um carneiro, que estão abichados no potreiro.

        Disse-lhe isso e foi para Alegrete.

        Dia 1º, ali pelas onze horas da madrugada, chegou na fazenda e foi perguntando:

        - Como estão as cousas? O carneiro e o touro melhoraram?

        O capataz novo deu uma mascada no chiclete e respondeu:

        - O boi shtá numa boa, mash o carneiro sifú.

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